Orquestrar um Futuro Melhor (mensagem publicada na newsletter de 01/11/2024)
A Orquestra Filarmonia das Beiras, tendo-se afirmado no panorama cultural português – e o futuro está por acontecer –, fez prova de que foi uma aposta ganha a descentralização a este nível. Faz ainda prova de que existem músicos de elevada qualidade em Portugal, e em particular na região, o que se deve a múltiplos fatores, dos quais quero destacar as bandas filarmónicas, os conservatórios, outras escolas de ensino artístico e a Universidade de Aveiro (UA), à qual a orquestra está desde o início intimamente ligada. É ainda testemunho vivo de uma vocação universalista, da capacidade de acolher, viver e beneficiar de um ambiente global (somos, felizmente, uma orquestra de muitas nacionalidades), assim como da existência crescente de público para a música erudita.
Nesta fase em que assumo as funções de Diretor Executivo, quero muito sublinhar os apoios financeiros e materiais que garantem a sua sustentabilidade, destacando o financiamento do Ministério da Cultura, através da muito próxima Direção Geral das Artes, das Câmaras Municipais e outras instituições que fazem parte da Associação Musical das Beiras (AMB), como é o caso da UA, assim como de todas as entidades que contratam concertos.
Recentemente, um enorme contributo para o desenvolvimento da nossa atividade consistiu na cedência, pela Câmara Municipal de Aveiro, de uma nova sede na Casa de Música de Aradas (Aveiro), onde temos boas condições de trabalho, uma relação próxima e mutuamente proveitosa com parte dos Serviços de Cultura ali instalados, e um auditório que veio facilitar a realização de ensaios e permitir a produção autónoma de espetáculos. Neste quadro tem sido decisivo o apoio inexcedível da atual Direção da AMB, composta pela Câmara Municipal de Viseu, que preside, e pelas Câmaras Municipais de Leiria, Aveiro, Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga.
É um privilégio liderar esta equipa extraordinária, de músicos e outros profissionais, que procurará aprofundar nos próximos tempos a relação com as autarquias, empresas e outras forças vivas da região, com vista a fomentar, numa abordagem inovadora, a aproximação das comunidades à música e à música erudita em especial.
Numa das suas tiradas, um dos maiores cómicos de sempre, Woody Allen, alude sarcasticamente ao poder da música: “Não posso ouvir muito Wagner. Começa a dar-me vontade de conquistar a Polónia.”. Como mostra o sarcasmo, a música tem esse condão de tornar a vida encantadora ou pelo menos mais leve, de inspirar o génio humano, de aproximar culturas e povos, pessoas de todas as condições, de ser essa chama que, mesmo nos tempos mais escuros, faz prova da existência da humanidade e da urgência em resgatá-la.
A música é tão extraordinária que até Woody Allen, celebrado escritor e cineasta (e músico que tem tocado em Portugal), diz que adoraria ser um grande músico, um grande pianista.
Por falar nisso, hoje a vossa orquestra, dirigida pelo nosso não menos brilhante maestro Jan Wierzba, atua com o pianista do momento, Lang Lang, no Fórum Braga, num magnífico espetáculo sobre as canções do mundo Disney. Não sei se ainda haverá bilhetes, mas poderão sempre estar atentos à próxima oportunidade.
Espero encontrar-Vos em breve num dos nossos espetáculos.
Diretor Executivo da OFB
dexecutivo@orquestradasbeiras.com
